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Mercado Farmacêutico Brasileiro (2019-2024):  Baixa Inovação, Crescimento em Acesso e Implicações Estratégicas

Introdução

Instituto Medicamenta apresenta neste levantamento a análise do mercado farmacêutico brasileiro que experimentou transformações significativas entre 2019 e 2024, conforme dados do Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico da Secretaria Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (SCMED/ANVISA). Apesar do crescimento expressivo no faturamento total (87%, de R$ 85,9 bilhões para R$ 160,7 bilhões) e em unidades comercializadas (13%, de 5,3 bilhões para 6,0 bilhões), o número de produtos novos (novos + inovadores) permaneceu estagnado, enquanto categorias acessíveis como genéricos e biológicos ganharam relevância. Este estudo estrutura os dados em tabela comparativa, analisa tendências e discute implicações estratégicas para acesso (expansão de opções terapêuticas a preços competitivos) e inovação (introdução de moléculas ou formulações disruptivas), com foco na população brasileira.

Tabela Comparativa: Evolução por Categoria Regulatória (2019 vs. 2024)

CategoriaNº Produtos   (2019)Nº Produtos  R (2024)   Variação (%) Faturamento (R$ bi, 2019) Faturamento (R$ bi, 2024)  Variação (%)
Novos (novos + inovadores)1.1761.128-4%30,553,1+74%
Biológicos305373+22%21,848,5+122%
Genéricos2.3352.620+12%11,721,5+83%
Similares2.3802.230-6%17,226,1+51%
IFAs e Associações1.9351.913-2%—*—*—*
Total85,9160,7+87%

*Nota: Faturamento de IFAs e associações não segregado no anuário; impacto indireto via outras categorias. 

Total Unidades Comercializadas : 5,3 bi (2019) → 6,0 bi % (+13%)

Análise das Tendências

  1. Estagnação em Novos/Inovadores: Queda de 4% no número de registros concedidos reflete barreiras regulatórias, patentes expiradas sem reposição e foco da indústria em lifecycle management (extensões de linha) em vez do incremento em P&D . Por outro lado, faturamento +74% indica concentração em produtos de maior valor agregado com margens elevadas.
  2. Boom de Biológicos: +22% em nº produtos comercializados e +122% em faturamento sinalizam maturação do segmento biossimilar.
  3. Genéricos como Motor de Acesso: +12% em nº produtos comercializados e +83% em faturamento consolidam políticas públicas recentes . 
  4. Similares em Declínio Suave: -6% reflete diminuição de portifólios e migração para genéricos (obrigatória intercambialidade desde 2020) mas com aumento de 50% em faturamento
  5. Mercado Total: Crescimento em valor (87%) supera volume de unidades (13%).

Implicações Estratégicas: Acesso vs. Inovação

1. Acesso Ampliado, mas Desigual

  • Positivo: Genéricos + biológicos representam >50% do crescimento em volume, beneficiando SUS e classe C/D (farmácias populares). 
  • Desafio Estratégico: Em 2024, o Ministério da Saúde teve uma despesa de R$ 3,2 bilhões em decorrência de demandas judiciais de medicamentos, que ampliam a desigualdade. 

2. Inovação Estagnada: Risco Sistêmico

  • Negativo: Nº Produtos novos – diminuição de 4% no período ; IFAs ( produtos novos )  em comercialização – diminuição de 2% 
  • Desafio Estratégico: Modelo de negócios “follow-on” (genéricos/biossimilares) que gera rápida rentabilidade, mas retarda P&D. 

Conclusão

O período 2019-2024 consolidou o Brasil como líder em fabricação de genéricos na América Latina, mas expôs a fragilidade inovadora. A estratégia nacional deve migrar do binômio “acesso OU inovação” para “maior acesso COM maior inovação incremental/radical”, usando biossimilares/genéricos/similares inéditos como alavanca para P&D endógeno.

Neste quadro, o déficit de recursos humanos é um dos principais gargalos, demandando ações urgentes do governo federal para evitar paralisia regulatória da Anvisa, que impacta diretamente sua capacidade de análise e registro sanitário de produtos novos e inovadores, bem como no desenvolvimento tecnológico de inovações radicais e incrementais neste segmento industrial. 

 Finalmente, a ANVISA e o Ministério da Saúde dispõe de dados concretos para a resolução de restrições orçamentárias, estruturais e de pessoal  — falta visão integrada e estratégica no âmbito governamental para transformá-los em política pública de Estado em benefício da população brasileira.

Fontes:

  1. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/medicamentos/cmed/anuario-estatistico-do-mercado-farmaceutico-2024.pdf/view
  2. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/cmed/informes/anuario-estatistico-2019-versao-final.pdf/view
  3. https://www.ipea.gov.br/portal/categorias/45-todas-as-noticias/noticias/15830-judicializacao-corresponde-a-quase-33-dos-gastos-em-medicamentos-de-estados-brasileiros

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